{"id":134,"date":"2024-10-12T14:41:16","date_gmt":"2024-10-12T17:41:16","guid":{"rendered":"https:\/\/isimm.com.br\/?p=134"},"modified":"2024-10-13T20:00:20","modified_gmt":"2024-10-13T23:00:20","slug":"estudo-comparativo-entre-terapias-neoadjuvante-e-adjuvante-para-cancer-de-mama-her2-positivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/isimm.com.br\/?p=134","title":{"rendered":"Estudo Comparativo entre Terapias Neoadjuvante e Adjuvante para C\u00e2ncer de Mama HER2-Positivo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O estudo &#8220;Survival outcomes of neoadjuvant versus adjuvant therapy in patients with T1c, node\u2010negative, human epidermal growth factor receptor 2\u2013positive breast cancer&#8221; comparou as taxas de <\/strong><strong>sobreviv\u00eancia global (OS)<\/strong><strong> e <\/strong><strong>sobreviv\u00eancia espec\u00edfica para c\u00e2ncer de mama (BCSS)<\/strong><strong> em pacientes com c\u00e2ncer de mama HER2-positivo est\u00e1gio T1cN0M0. Utilizando dados do banco SEER e aplicando o m\u00e9todo de Propensity Score Matching (PSM) para criar coortes balanceadas, os pesquisadores analisaram o impacto das terapias neoadjuvante (NAT) e adjuvante (AT) entre 2010 e 2020.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os resultados revelaram que as taxas de OS e BCSS foram semelhantes para os grupos NAT e AT, sugerindo que ambos os regimes s\u00e3o igualmente eficazes na melhora da sobreviv\u00eancia em cinco e dez anos. No entanto, o estudo destacou que pacientes que alcan\u00e7aram resposta patol\u00f3gica completa (pCR) ap\u00f3s NAT apresentaram desfechos significativamente melhores em compara\u00e7\u00e3o aos tratados com AT, com hazard ratios favor\u00e1veis para OS (0,52) e BCSS (0,60). Essa observa\u00e7\u00e3o confirma a import\u00e2ncia da pCR como um marcador progn\u00f3stico positivo e sugere que, para pacientes com c\u00e2ncer de mama HER2-positivo, a NAT pode ser prefer\u00edvel, especialmente quando h\u00e1 uma alta probabilidade de resposta completa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m da aus\u00eancia de diferen\u00e7a significativa nas taxas gerais de sobreviv\u00eancia, o estudo ressalta que a NAT permite benef\u00edcios cl\u00ednicos adicionais, como facilitar cirurgias menos invasivas (ex. conserva\u00e7\u00e3o de mama) e evitar dissec\u00e7\u00f5es axilares excessivas. Essa capacidade de NAT em avaliar a resposta do tumor em tempo real e adaptar tratamentos subsequentes \u00e9 crucial para um manejo mais preciso, especialmente em subtipos de c\u00e2ncer de mama agressivos, como o HER2-positivo. Al\u00e9m disso, o estudo sugere que o monitoramento cont\u00ednuo dos desfechos associados \u00e0 pCR ap\u00f3s NAT pode guiar a implementa\u00e7\u00e3o de terapias p\u00f3s-cir\u00fargicas mais intensivas, como o uso de T-DM1, para otimizar ainda mais os resultados em pacientes com doen\u00e7a residual.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"982\" height=\"303\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfiHitgTHzeThqY23XsczeRvNIb3pThDZW48R8rE2YWEJ6FML9qYFgaJ4tFBaroS4cAdD-Sb-T1Wxu9DC1SR8C62y-kLvi427L5DgdFDbKT8Zwa_CaJlq54zIXynVw7P2ZDd-iiQn0XD7fIPZbwc8LOMiMQ?key=Bxvb5sOZ1RTTx0EFtJsFtg\"><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>T1cN0M0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>T1cN0M0 \u00e9 uma classifica\u00e7\u00e3o usada no estadiamento do c\u00e2ncer de mama e segue o sistema TNM, que avalia a extens\u00e3o do tumor, a presen\u00e7a de met\u00e1stases em linfonodos regionais e met\u00e1stases \u00e0 dist\u00e2ncia. Abaixo est\u00e1 o que cada parte desta classifica\u00e7\u00e3o significa:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>1. T1c &#8211; Tumor Prim\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>T: Refere-se ao tamanho do tumor prim\u00e1rio.<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>1c: Indica que o tumor tem um tamanho maior que 1 cm, mas menor ou igual a 2 cm (1,1 cm a 2,0 cm).<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>2. N0 &#8211; Linfonodos Regionais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>N: Indica o status dos linfonodos regionais.<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>0: Significa que n\u00e3o h\u00e1 met\u00e1stase detect\u00e1vel nos linfonodos regionais.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>3. M0 &#8211; Met\u00e1stase \u00e0 Dist\u00e2ncia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>M: Refere-se \u00e0 presen\u00e7a ou aus\u00eancia de met\u00e1stase \u00e0 dist\u00e2ncia (em \u00f3rg\u00e3os ou tecidos fora da mama e linfonodos regionais).<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>0: Indica que n\u00e3o h\u00e1 met\u00e1stase \u00e0 dist\u00e2ncia detectada.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Portanto, T1cN0M0 descreve um tumor de mama que tem entre 1,1 e 2,0 cm de tamanho, sem envolvimento dos linfonodos regionais e sem met\u00e1stase \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-large-font-size\"><strong>T-DM1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>T-DM1, tamb\u00e9m conhecido como trastuzumabe emtansina (nome comercial Kadcyla), \u00e9 um medicamento utilizado no tratamento do c\u00e2ncer de mama HER2-positivo. Ele pertence a uma classe de terapias chamada anticorpo conjugado a droga (ADC, do ingl\u00eas <\/strong><strong><em>Antibody-Drug Conjugate<\/em><\/strong><strong>), que combina um anticorpo monoclonal espec\u00edfico com um agente quimioter\u00e1pico. Aqui est\u00e3o os pontos principais sobre o T-DM1:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>1. Composi\u00e7\u00e3o e Mecanismo de A\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Trastuzumabe: \u00c9 um anticorpo monoclonal que se liga especificamente ao receptor HER2 (um receptor que est\u00e1 superexpresso em alguns tipos de c\u00e2ncer de mama). Ele inibe o crescimento das c\u00e9lulas cancer\u00edgenas e marca essas c\u00e9lulas para serem destru\u00eddas pelo sistema imunol\u00f3gico.<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Emtansina (DM1): \u00c9 o agente quimioter\u00e1pico ligado ao trastuzumabe. A emtansina \u00e9 uma subst\u00e2ncia citot\u00f3xica que, uma vez dentro da c\u00e9lula cancer\u00edgena, interfere nos microt\u00fabulos, impedindo a divis\u00e3o celular e levando \u00e0 morte celular.<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Mecanismo: O trastuzumabe guia o T-DM1 at\u00e9 as c\u00e9lulas que expressam HER2. Ap\u00f3s a liga\u00e7\u00e3o ao receptor HER2, o complexo \u00e9 internalizado pela c\u00e9lula, liberando a emtansina diretamente no interior da c\u00e9lula cancer\u00edgena. Isso permite que a quimioterapia seja mais direcionada, causando menos efeitos colaterais sist\u00eamicos.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>2. Indica\u00e7\u00f5es Terap\u00eauticas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>C\u00e2ncer de mama HER2-positivo: O T-DM1 \u00e9 utilizado em pacientes com c\u00e2ncer de mama que superexpressam o receptor HER2, tanto em est\u00e1gios iniciais (principalmente em casos que n\u00e3o responderam bem a tratamentos anteriores) quanto em casos metast\u00e1ticos.<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Doen\u00e7a residual: \u00c9 especialmente utilizado ap\u00f3s a terapia neoadjuvante quando h\u00e1 presen\u00e7a de doen\u00e7a residual, ajudando a reduzir o risco de recidiva.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>3. Benef\u00edcios<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Precis\u00e3o: Como o T-DM1 combina um anticorpo que direciona o quimioter\u00e1pico diretamente \u00e0s c\u00e9lulas cancer\u00edgenas, ele minimiza danos \u00e0s c\u00e9lulas saud\u00e1veis, oferecendo uma abordagem mais precisa e menos t\u00f3xica do que a quimioterapia convencional.<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Melhora da Sobrevida: Estudos cl\u00ednicos demonstraram que o uso do T-DM1 pode melhorar a sobrevida livre de progress\u00e3o e a sobrevida global em pacientes com c\u00e2ncer de mama HER2-positivo.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>4. Efeitos Colaterais Comuns<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Fadiga<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>N\u00e1usea e v\u00f4mito<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Trombocitopenia (diminui\u00e7\u00e3o de plaquetas)<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Toxicidade hep\u00e1tica<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Neuropatia perif\u00e9rica (dano aos nervos)<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>O T-DM1 \u00e9 uma ferramenta terap\u00eautica essencial para tratar c\u00e2nceres HER2-positivos, oferecendo uma alternativa mais eficaz e direcionada, com foco em melhorar a qualidade de vida e os resultados de longo prazo dos pacientes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>DR IDELFONSO CARVALHO \/ MASTOLOGISTA \/ CRM 9198 \/ RQE 5403<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo &#8220;Survival outcomes of neoadjuvant versus adjuvant therapy in patients with T1c, node\u2010negative, human epidermal growth factor receptor 2\u2013positive breast cancer&#8221; comparou as taxas de sobreviv\u00eancia global (OS) e sobreviv\u00eancia espec\u00edfica para c\u00e2ncer de mama (BCSS) em pacientes com c\u00e2ncer de mama HER2-positivo est\u00e1gio T1cN0M0. 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