{"id":172,"date":"2024-11-03T22:38:44","date_gmt":"2024-11-04T01:38:44","guid":{"rendered":"https:\/\/isimm.com.br\/?p=172"},"modified":"2024-11-03T22:47:57","modified_gmt":"2024-11-04T01:47:57","slug":"mastectomia-bilateral-e-mortalidade-por-cancer-de-mama-uma-analise-dos-efeitos-e-limitacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/isimm.com.br\/?p=172","title":{"rendered":"MASTECTOMIA BILATERAL E MORTALIDADE POR C\u00c2NCER DE MAMA: UMA AN\u00c1LISE DOS EFEITOS E LIMITA\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A escolha da mastectomia bilateral como tratamento para mulheres com c\u00e2ncer de mama unilateral tem se tornado cada vez mais comum, muitas vezes motivada pela expectativa de prevenir um segundo c\u00e2ncer e, assim, melhorar a sobrevida. No entanto, os efeitos reais dessa interven\u00e7\u00e3o em termos de mortalidade ainda s\u00e3o controversos. O estudo recente, conduzido por Giannakeas et al., publicado na <\/strong><strong><em>JAMA Oncology<\/em><\/strong><strong> em 2024, analisou dados de 661.270 mulheres diagnosticadas com c\u00e2ncer de mama entre 2000 e 2019, comparando tr\u00eas abordagens cir\u00fargicas: lumpectomia, mastectomia unilateral e mastectomia bilateral.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os resultados indicam que, embora a mastectomia bilateral reduza significativamente o risco de desenvolvimento de um segundo c\u00e2ncer contralateral \u2014 com apenas 0,3% dos casos contra 6,9% observados nos grupos que realizaram lumpectomia ou mastectomia unilateral \u2014 ela n\u00e3o apresenta um impacto relevante na mortalidade por c\u00e2ncer de mama. A taxa de mortalidade em 20 anos foi similar entre todos os grupos, por volta de 16,7%. Esses achados sugerem que, apesar de reduzir a incid\u00eancia de um segundo c\u00e2ncer, a mastectomia bilateral n\u00e3o diminui o risco de morte, questionando, portanto, sua efetividade como estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o de mortalidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outro ponto crucial levantado pelo estudo \u00e9 o impacto de um diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer contralateral. Mulheres que desenvolveram um segundo c\u00e2ncer de mama apresentaram um risco quatro vezes maior de mortalidade, independentemente do tipo de cirurgia inicial realizada. Essa informa\u00e7\u00e3o evidencia que a presen\u00e7a de um c\u00e2ncer contralateral \u00e9 um marcador significativo de pior progn\u00f3stico, mas que sua preven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica n\u00e3o parece alterar substancialmente a sobreviv\u00eancia em longo prazo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m disso, o estudo destaca que a mortalidade ap\u00f3s um segundo c\u00e2ncer de mama foi maior entre mulheres diagnosticadas com c\u00e2ncer lobular e aquelas mais jovens, especialmente em casos de c\u00e2ncer receptor hormonal negativo (ER-negativo). Esse detalhe refor\u00e7a a necessidade de estrat\u00e9gias individualizadas e espec\u00edficas para grupos de maior risco.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma quest\u00e3o levantada pela pesquisa \u00e9 a efic\u00e1cia limitada da detec\u00e7\u00e3o precoce. Embora o c\u00e2ncer contralateral seja frequentemente identificado cedo, isso n\u00e3o resulta, necessariamente, em uma melhora significativa na sobreviv\u00eancia das pacientes. Isso levanta d\u00favidas sobre a utilidade de uma triagem intensificada ap\u00f3s o diagn\u00f3stico inicial de c\u00e2ncer de mama, sugerindo que interven\u00e7\u00f5es mais focadas ou estrat\u00e9gias alternativas possam ser necess\u00e1rias para reduzir a mortalidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As conclus\u00f5es refor\u00e7am que, apesar do aumento no n\u00famero de mulheres que escolhem a mastectomia bilateral como medida preventiva, n\u00e3o h\u00e1 benef\u00edcio de sobreviv\u00eancia comprovado. Isso sublinha a import\u00e2ncia de um aconselhamento m\u00e9dico preciso, baseado em evid\u00eancias, para que as pacientes compreendam os riscos e benef\u00edcios reais dessa interven\u00e7\u00e3o. A orienta\u00e7\u00e3o inadequada pode levar a decis\u00f5es baseadas em percep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas de risco e benef\u00edcio, o que poderia ser evitado com informa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica mais clara e individualizada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O estudo tamb\u00e9m reconhece limita\u00e7\u00f5es importantes, como a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre o hist\u00f3rico familiar das pacientes, o uso de terapia end\u00f3crina e a presen\u00e7a de muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas (BRCA1\/BRCA2). Esses s\u00e3o fatores essenciais para avaliar o risco de c\u00e2ncer contralateral e a efetividade das interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas preventivas, e sua aus\u00eancia nos dados pode impactar a interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em resumo, a mastectomia bilateral \u00e9 eficaz para prevenir um segundo c\u00e2ncer, mas n\u00e3o se traduz em uma redu\u00e7\u00e3o significativa na mortalidade em mulheres com c\u00e2ncer unilateral. Esse achado desafia a vis\u00e3o comum de que o c\u00e2ncer contralateral, quando diagnosticado precocemente, pode ser efetivamente tratado para melhorar a sobreviv\u00eancia. Assim, \u00e9 fundamental que m\u00e9dicos e pacientes estejam bem informados sobre as reais implica\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es desse procedimento, permitindo que decis\u00f5es sejam tomadas com base em dados concretos e perspectivas realistas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>DR IDELFONSO CARVALHO \/ MASTOLOGISTA \/ CRM 9198 \/ RQE 5403<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escolha da mastectomia bilateral como tratamento para mulheres com c\u00e2ncer de mama unilateral tem se tornado cada vez mais comum, muitas vezes motivada pela expectativa de prevenir um segundo c\u00e2ncer e, assim, melhorar a sobrevida. No entanto, os efeitos reais dessa interven\u00e7\u00e3o em termos de mortalidade ainda s\u00e3o controversos. 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